12 de junho de 2019

Resenha: "MIB: HOMENS DE PRETO - INTERNACIONAL" [sem spoilers]


Em 1997, fomos presenteados com o primeiro “Homens de Preto”, uma surpreendente mistura de ficção científica, investigação e comédia, e que ainda trazia um peculiar subtexto sobre a possibilidade de termos milhares de seres alienígenas disfarçados entre nós - algo que ainda dialoga com a esquisitice cômica que nós mesmos podemos apresentar como terráqueos. Após duas sequências, temos agora “MIB: Homens de Preto - Internacional” (2019), uma obra que renova a equipe e as ambientações, mas perde boa parte do charme sarcástico da franquia.

A história amplia a agência secreta ‘MIB’ a nível internacional, sendo que agora o foco é a sua sede londrina. A nova agente M (Tessa Thompson) se junta ao H (Chris Hemsworth), e a dupla tenta descobrir um complô alienígena que envolve um traidor da própria organização. Ao longo da narrativa, eles são orientados pela agente O (Emma Thompson) e High T (Liam Neeson).

O diretor F. Gary Gray deve ter pensado, erroneamente, que seria uma boa ideia se direcionar apenas ao caráter investigativo - que funciona razoavelmente -, sem usar a ironia do primeiro filme, aquela que à época fez o espectador refletir até sobre a ignorância e a arrogância que possuímos sem nos dar conta de que somos meros “pontinhos” num vastíssimo universo...

De toda forma, a gama de alienígenas adoravelmente exagerados ainda pode encher nossos olhos - em especial o simpático Pawny, que parece ter vindo da Pixar -, à medida que alguns personagens terráqueos também possuem suas qualidades: Tessa Thompson confere um real senso de encantamento como novata daquela agência, e Chris Hemsworth consegue ser divertido na composição de um agente que se alterna entre o habilidoso e o quase pastelão. Emma Thompson e Liam Neeson também possuem seus brilhos próprios. Por outro lado, Rebecca Ferguson faz uma alienígena que parece um tanto indefinida na história.

A ação e as pequenas reviravoltas são "ok". Já a diversidade de locações parece servir apenas para nos trazer uma pitada de “Missão Impossível” para a franquia ‘MIB’... isso é, algo diferente e com algum frescor visual, porém sem real fluidez narrativa. E os vilões são tão “memoráveis” que podemos esquecer das suas presenças e motivações logo após a sessão...

Homens de Preto - Internacional” é uma tentativa irregular de ampliar o universo ‘MIB’, e que ainda desperdiça a potencial ideia de criar entrelaces efetivos com a realidade terráquea de 2019. No fim, ele não consegue ser mais do que um rasteiro e “engraçadinho” filme episódico, do tipo que até pode ser esquecido sem necessidade de que os divertidos agentes M e H utilizem um ‘neuralizador’ para apagar nossas memórias... A propósito, de qual filme falávamos mesmo?

Nota: 5

Por Fábio Cavalcanti

5 de junho de 2019

Resenha: "X-MEN: FÊNIX NEGRA" [sem spoilers]


A franquia "X-Men" sempre chamou atenção pela forma como evoca, através dos seus heróis mutantes, os preconceitos reais que ocorrem com “minorias” em geral. Após seis filmes que já trouxeram duas encarnações distintas dos personagens, temos uma obra que serve para encerrar um importante ciclo da segunda encarnação: "X-Men: Fênix Negra" (2019). Esse aqui não é tão genérico quanto o “Apocalipse” (2016), ainda que tenha suas próprias falhas...

A história é focada na personagem Jean Grey, que desenvolve poderes muito acima de seu controle, e faz com que os X-Men precisem lidar com esse potencial perigo que pode afetar igualmente os humanos e os mutantes. As velhas questões sobre discriminação são elevadas a um patamar em que fatores psicológicos e políticos se entrelaçam, o que abre uma nova reflexão: até que ponto o indivíduo “diferente” é aceitável, mesmo entre seus semelhantes?

O diretor Simon Kinberg traz um tom mais dramático, sombrio e levemente cínico (DC, é você?), sem perder o senso de grandiosidade e ação que uma obra de “equipe de super-heróis” precisa ter. Sua narrativa é clara sobre as motivações dos personagens, suficientemente bem amarrada nos arcos que importam, e ao mesmo tempo despreocupada em estender ou explicar demais os aspectos fantasiosos da história. De brinde, é o filme mais convidativo para o público feminino (X-Women, como foi dito em uma sarcástica cena).

Os personagens trazem uma dualidade renovada. O Professor Xavier (James McAvoy) sofre com as consequências de algumas das suas decisões, da mesma forma que Jean Grey (Sophie Turner) se alterna com fluidez entre seus conflitos – e demônios – internos, seja antes ou após se transformar na Fênix Negra. Já Magneto (Michael Fassbender) acaba não atingindo (mais uma vez, entre esses novos filmes) o status de “grande vilão”.

Infelizmente, vários personagens ficam em segundo plano – alguns ao ponto de serem quase inúteis, como a pretensiosa entidade vilanesca Vuk (Jessica Chastain) -, mas vale prestarmos atenção nas nuances que alguns outros nos oferecem: desde as observações políticas de Fera (Nicholas Hoult), até a posição desafiadora e levemente pessimista de Mística (Jennifer Lawrence).

Com uma produção acima da média, e certa coragem narrativa que não apela para o “fan service porn” – o que resulta em algumas inesperadas reviravoltas -, "X-Men: Fênix Negra" mistura o velho lado filosófico dos mutantes com uma modesta dose de pancadaria. Tudo bem que essa franquia já não empolga tanto como nos quatro primeiros filmes, o que não impede o novo capítulo em questão de ser magnético (com o perdão do trocadilho) o bastante.

Nota: 6

Por Fábio Cavalcanti

28 de maio de 2019

Resenha: "GODZILLA II: REI DOS MONSTROS" [sem spoilers]


Existe algo de fascinante nos épicos filmes-catástrofe do nosso “querido” monstro Godzilla, ainda que as suas destruições constantes possam se tornar repetitivas e maçantes depois de certo ponto... Sim, essa fadiga ocorre um pouco em “Godzilla II: Rei dos Monstros” (2019), filme que funciona como continuação do “Godzilla” de 2014, e também como novo capítulo de um universo expandido chamado “MonsterVerse”. Mesmo assim, sua história traz novos elementos humanos - e ecológicos, de certo modo - que o fazem se sustentar por conta própria.

Na trama, os seres humanos precisam lidar com mais monstros recém descobertos, em especial os “titãs” Mothra, Rodan e King Ghidorah. O diretor Michael Dougherty é hábil em fazer seus personagens mudarem de perspectivas, paradigmas, e até motivações, de acordo com cada nova circunstância... e sim, os quatro “bichinhos” principais também possuem suas curiosas nuances. Acima de tudo, os humanos refletem sobre algumas questões, tais como: pode haver uma coexistência entre a gente e os monstros? E quem deve ser o “alfa”?

No centro da narrativa, temos os Russel, que exemplificam aquele clichê de família traumatizada e disfuncional – em busca de algum tipo de resolução em meio à catástrofe mundial. De toda forma, Kyle Chandler e Vera Farmiga interpretam os pais com um altíssimo nível de intensidade, enquanto que a jovem atriz Millie Bobby Brown continua mostrando sua impressionante versatilidade. Destaque também para Ken Watanabe, que brilha mais uma vez como o sempre convincente Dr. Serizawa.

A narrativa é divertida, mas sem deixar de se levar a sério em seus frequentes tons sombrios e noturnos. E as cenas de ação estabelecem aqui um novo nível de deleite visual e sonoro, embora só empolguem de verdade nas situações em que os humanos correm um grande risco em meio aos conflitos entre Godzilla e os outros “titãs”. Ainda que não tenhamos nada de novo e revolucionário aqui, há coesão, equilíbrio, e uma conveniente fidelidade à tradição oriental dos ‘kaijus’, além de alguns momentos genuinamente intensos a nível emocional...

Godzilla II: Rei dos Monstros” não ofende a inteligência do espectador, e é levemente superior ao primeiro filme, seja em história, subtextos ou ação “blockbuster”. O próprio Godzilla, enquanto personagem, possui agora uma complexidade psicológica cada vez mais próxima de outro monstro que logo o encontrará no “MonsterVerse”: o King Kong. Se o conflito entre os dois trará um resultado que não seja um desastre artístico – nesse mundo dominado por gigantes e monstruosas (hum) franquias cinematográficas -, apenas o tempo dirá...

Nota: 7

Por Fábio Cavalcanti

27 de maio de 2019

Resenha: "ROCKETMAN" [sem spoilers]


Cinebiografias de músicos famosos costumam seguir uma espécie de roteiro padronizado, visto que a maioria das histórias reais envolve os atos da ascensão, queda e redenção do artista. “Rocketman” (2019), filme sobre o cantor britânico Elton John, não é diferente... mas uma coisa é certa: a obra segue suas próprias regras narrativas, e nos brinda com um bem-vindo diferencial em um segmento cinematográfico que sempre trouxe irregularidades - mesmo após o recente sucesso de um discutível filme sobre uma certa banda...

Ao invés de um mero drama com passagens “burocráticas”, o diretor Dexter Fletcher entrega aqui um quase legítimo musical, no qual as letras, ritmos e melodias das icônicas canções de Elton John conseguem expor boa parte da história e do emocional do protagonista. Essa hipnótica metalinguagem - que às vezes beira o surreal e onírico - resulta numa experiência sensorial que nos faz esquecer de problematizar aquelas pequenas inconsistências históricas e cronológicas que nunca deixarão de existir no cinema “baseado em fatos reais”.

De toda forma, o elemento humano é o principal aqui, primeiramente pelo fato de Taron Egerton fazer uma atuação sensacional como Elton John! O jovem ator traz o pacote completo:  as demonstrações de talento quase sobrenatural do cantor/pianista, o seu carisma incomum, os momentos de carência (ou pura babaquice), a homossexualidade sem pudores, e o ‘mix’ de pompa e glamour que o artista praticamente injetou em suas próprias veias – juntamente com as drogas - quando se reinventou para adentrar o showbusiness.

Felizmente, os outros personagens não ficam apenas gravitando em torno do protagonista. Jamie Bell faz o compositor Bernie Taupin com uma profundidade que nos leva a acreditar de verdade na amizade e química musical que existiu entre os dois. Bryce Dallas Howard também possui seus momentos como a ambígua e imprevisível mãe de Elton – e podem ter certeza de que há uma surpreendente fuga do clichê na forma como o arco familiar do cantor é finalizado.

Apesar de alguns excessos caricatos aqui e ali, “Rocketman” é uma envolvente profusão de canções bem utilizadas, cores e figurinos autoexplicativos, drama comovente, irreverência pitoresca, e... enfim, legítimas cafonices “eltonjonianas”. Muito além da sua capacidade imersiva, o filme mantém a humanidade no centro do palco, e prova que podemos nos reinventar da forma que quisermos, desde que consigamos nos calibrar ao longo da nossa jornada de crescimento e amadurecimento. Sejamos fabulosos “foguetes” como Elton John!

Nota: 9

Por Fábio Cavalcanti

10 de maio de 2019

Resenha: "JOHN WICK 3 - PARABELLUM" [sem spoilers]


Quais são os três principais valores da vida? A franquia cinematográfica John Wick nos dá a resposta: porrada, tiroteio e perseguições! O gênero de ação andava carente de filmes com um apreço maior a sutilezas narrativas, produção elegante, e uma coragem de abraçar a própria essência sem grandes pretensões em seus subtextos. Felizmente, o diretor Chad Stahelski entregou em seu “John Wick 3: Parabellum” (2019) um nível de qualidade não muito distante dos dois filmes que o antecedem...

A história continua do ponto em que o segundo filme havia terminado... e agora o grande assassino de aluguel John Wick (Keanu Reeves) precisa se salvar após sua cabeça ser posta a prêmio. Temos também a introdução da “Alta Cúpula”, que é responsável por manter um senso de ordem e controle em cima de todos os nossos queridos fora da lei...

Como se pode deduzir, este terceiro filme ainda fala sobre regras e leis que devem ser levadas às últimas consequências. O pequeno diferencial está na lição “Se você quer paz, se prepare para a guerra”, algo que guia a motivação do nosso protagonista por caminhos diferenciados. Ao longo dessa jornada, somos brindados com “danças” de ação frenéticas e eletrizantes, das quais eu destaco a criativa - e quase cômica - luta envolvendo diversos objetos cortantes, e o apoteótico confronto em belíssimas áreas internas do Hotel Continental...

Além do brilhantismo de Keanu Reeves na composição de um protagonista “bruto, mas com alguma sensibilidade”, temos vários outros personagens interessantes: o imprevisível Winston (Ian McShane), a multifacetada Sofia (Halle Berry), o hipnótico Rei Sombrio (Laurence Fishburne), o carismático Zero (Mark Dacascos) e uma misteriosa e sistemática vilã (Asia Kate Dillon). Stahelski é habilidoso em extrair o melhor de cada ator, além de fornecer alguma importância narrativa para personagens que, em sua maioria, possuem pouco tempo em tela.

A única falha fica por conta da necessidade de deixar pontas soltas para mais continuações desse pequeno grande universo (“Wickverso”?), de tal forma que o último ato acaba trazendo os primeiros sinais de possível cansaço e previsibilidade para a saga.

Seja como for, “Parabellum” é um filme que mantém a escala do segundo exemplar, além de nos lembrar dos clássicos heróis “silenciosos” (Steve McQueen, Charles Bronson, entre outros) e do cinema oriental de ação. Chad Stahelski se mostra plenamente capaz de nos entreter com suas cores fortes, e com planos que nos deixam a par de cada detalhe visual e sonoro. E o melhor de tudo: podemos perceber que cinema de gênero também é arte. Aguardemos pelos próximos “tiros e porradas” que fazem nossa vida ter algum sentido...

Nota: 8

Por Fábio Cavalcanti

1 de maio de 2019

Apresentação

Digníssimos e digníssimas, sejam bem-vindos ao POP REVERSO!

Sou Fábio Cavalcanti, e aqui eu opino sobre Cinema e Música quando posso ou quando quero, com as minhas opiniões quase sempre positivas. Já tive o blog de música Rock Em Análise, e colaboro com o site Whiplash. Conheçam também meus perfis em outras redes, através do menu desse blog.

Obrigado!